Ana

A minhoca Ana
conta antigo ofício:
operária do desencarne.

Primeiro rouba
animações das flores
antes das cores,
esquece distância
e mede profundidade.

Depois dobra
a musculatura das certezas,
deseleganteia o morto,
deveste os grãos,
para que a carne
livre-se dos ossos.

Por fim rasteja
viscosidade no átomo
e deixa o esquecimento
operar suas máquinas.

2 comentários:

marilda confortin disse...

Sumida. Passe no meu blog. Tem um recado prá você.
Bom 2008.

Rodolfo disse...

Ótimo texto. A desconstrução que antecede o esquecimento.
E viva os operários da desconstrução e do desencarne.
Ótimo este blogue. Denso e original.
Voltarei!!