Ana
A minhoca Ana
conta antigo ofício:
operária do desencarne.
Primeiro rouba
animações das flores
antes das cores,
esquece distância
e mede profundidade.
Depois dobra
a musculatura das certezas,
deseleganteia o morto,
deveste os grãos,
para que a carne
livre-se dos ossos.
Por fim rasteja
viscosidade no átomo
e deixa o esquecimento
operar suas máquinas.
A minhoca Ana
conta antigo ofício:
operária do desencarne.
Primeiro rouba
animações das flores
antes das cores,
esquece distância
e mede profundidade.
Depois dobra
a musculatura das certezas,
deseleganteia o morto,
deveste os grãos,
para que a carne
livre-se dos ossos.
Por fim rasteja
viscosidade no átomo
e deixa o esquecimento
operar suas máquinas.

2 comentários:
Sumida. Passe no meu blog. Tem um recado prá você.
Bom 2008.
Ótimo texto. A desconstrução que antecede o esquecimento.
E viva os operários da desconstrução e do desencarne.
Ótimo este blogue. Denso e original.
Voltarei!!
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