Alimentações
Toda manhã curva-se à mesa,
gira o café em rodamoinho
até que a vertigem traga ausência.
Livra-se do corpo dele
e enquanto os filhos não crescem
permite aos hábitos existência:
o jornal folheia sozinho suas notícias
e a xícara branca é par da negra.
Toda tarde observa seu peito,
mede o tamanho do peso
até que a dor realize algum feito.
Sem blusa, tranca-se no quarto
e enquanto os filhos não crescem
permite o duelo entre seus seios:
o esquerdo temendo as noites sem boca, morde o direito
que cansado conspira um tumor em silêncio.
Toda noite enfileira os filhos na parede e inicia a medição.
Toda manhã curva-se à mesa,
gira o café em rodamoinho
até que a vertigem traga ausência.
Livra-se do corpo dele
e enquanto os filhos não crescem
permite aos hábitos existência:
o jornal folheia sozinho suas notícias
e a xícara branca é par da negra.
Toda tarde observa seu peito,
mede o tamanho do peso
até que a dor realize algum feito.
Sem blusa, tranca-se no quarto
e enquanto os filhos não crescem
permite o duelo entre seus seios:
o esquerdo temendo as noites sem boca, morde o direito
que cansado conspira um tumor em silêncio.
Toda noite enfileira os filhos na parede e inicia a medição.

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