Ana
A minhoca Ana
conta antigo ofício:
operária do desencarne.
Primeiro rouba
animações das flores
antes das cores,
esquece distância
e mede profundidade.
Depois dobra
a musculatura das certezas,
deseleganteia o morto,
deveste os grãos,
para que a carne
livre-se dos ossos.
Por fim rasteja
viscosidade no átomo
e deixa o esquecimento
operar suas máquinas.
A minhoca Ana
conta antigo ofício:
operária do desencarne.
Primeiro rouba
animações das flores
antes das cores,
esquece distância
e mede profundidade.
Depois dobra
a musculatura das certezas,
deseleganteia o morto,
deveste os grãos,
para que a carne
livre-se dos ossos.
Por fim rasteja
viscosidade no átomo
e deixa o esquecimento
operar suas máquinas.


